
Já nem me lembro de quantas vezes acordei pensando se tudo que conheci ao longo dessa vida é realmente verdadeiro. Será que vivemos um grande sonho? Ou uma alucinação?Até que ponto temos controle sobre nossas próprias vidas?
E sempre que esses questionamentos vinham a minha mente eu via dois caminhos:
1)Voltar a "realidade", me entregar ao que me parece ser a vida.
2)Duvidar que estes questionamentos são realmente meus e continuar a buscar, o mais profundo que esteja, algo que me pareça um esboço de verdade. Mesmo não entendo o que é verdade ou se algo parecido com esse conceito pode existir.
Bicudo e insatisfeito, mas vendo-me ainda despreparado para enfrentar o caminho da dúvida, costumava seguir pelo primeiro.
Mas graças a deus (se é que isso existe) têm pessoas nesse mundo que decidiram seguir pelo segundo caminho e, de vez em quando, conseguem ser ouvidas. Não foram poucas as vezes em que sofri choques de dúvida, provocados por pessoas desse tipo. Minha força de vontade, porém, é pouca. Sinto-me incapaz de nadar contra a correnteza.

Hoje, não tenho nenhuma dúvida de que sou enganado, manipulado a cada segundo. Mas não encontro maneiras de me libertar de uma vez. Um passo já foi dado, fato. Tenho a consciência de que vivo uma mentira das grandes. O problema está em tentar encontrar onde estão os pilares de sustentação dessa mentira e como derrubá-los. Vejo muitos que também entendem o mundo de forma diferente, mas estes (os que conheço), tentam ou tentaram teorizar muito sobre as coisas. Penso que ao fazer, não se acaba com a grande ilusão, mas criá-se outra. Não tenho medo de dizer que Marx, Freud e muitos outros, na minha humilde opinião, fizeram isso. Teorizaram suas percepções do mundo. Em alguns pontos, libertos de qualquer preceito anterior, mas em muitos outros infestados de mentiras já contadas. É difícil fazer-me entender...
Creio que se trata mais ou menos daquela velha questão levantada pela professora de história gorda: Depende do ponto de vista! - dizia ela.
É como se existissem milhares de verdades prontas para serem aceitas. Ou melhor, é como se existissem milhares de mentiras, prontas para serem tomadas como verdades. Foi e é assim, ao longo da história. Acredita-se em algo, cria-se e mata-se por isso, e depois este algo desmentido. Simples assim, descobre-se que certas crenças eram vãs e passamos a tirar sarro do quão besta éramos. E o pior é que jamais aprendemos com o erro e continuamos a matar em nome das verdades que tomamos como certas em nosso tempo.

A irônia é tão grande que se apresenta até nesse texto. A primeira vista parece um grito de socorro de uma alma perdida.Mas, o que me fez escrever?
Hoje de manhã, tive uma aula com um professor que defende que duvidemos de tudo e de todos sempre e nos mostrou milhares de possibilidades de como enxergar o caso Belo Monte. Depois li e escrevi sobre Hélio Oiticica, um artista brasileiro que defendia que arte é tudo aquilo gerado por percepções supra-sensoriais individuais provocadas pela interação de um ser individual com a obra. (existe hoje na terra algum ser individual?!) Além disso, acabo de assistir ao filme Zeitgest, que mostra como acreditamos em fatos que nunca existiram e como somos manipulados a todo instante e forçados a acreditar que somos impotentes perante o mundo. Agora veja como meu texto foi influenciado por tudo isso!
Afinal, o que é de verdade?! O que sou eu? No que acreditar? O que pensar?
Se der mais um passo eu fico maluco! Insanidade?? Será que é aí que está a resposta? Ainda prefiro não arriscar...
...e novamente sigo pelo primeiro caminho...
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