quarta-feira, 28 de abril de 2010

Andy ou Warhol?


Na quinta-feira passada fui ao museu sozinho. Uma experiência até então inusitada em minha curta vida. No dia anterior, pensei: "putz, sexta não vou poder voltar cedo pra santos porque vou ter que ver, com a turma e a professora de artes, aquela exposição do tal do Andy Warhol. Já sei, vou amanhã! Mas sozinho? Que que tem, é uma exposição, não precisa de mais ninguém além de você e o autor, ou melhor, as obras dele...".

Chegando lá (na Estação Pinacoteca)...E agora? Já comprei o ingresso, mas agora eu vo pra onde? Eis que surge um cidadão de terno, funcionário do lugar, que me guiou até a exposição. Que alma boa.

Plim, abrem-se as portas do elevador e lá estou, no meio de vários quadros e telas de plasma reproduzindo vídeos, que legal! Mas por onde começa? Qual obra olhar primeiro? Com vergonha de ficar parado ali, dando bandeira da minha inexperiência em exposições, escolhi um lado para começar e me convenci de que estava certo.

"Se você quiser saber quem é Andy Warhol, olhe apenas para meu rosto, ou para a superfície de minhas obras", foram as primeiras palavras que li. Pensei, em ordem cronológica:
1) Tá, essa parece ser uma frase de abertura de exposição, te convida para conhecer ele através das obras.Beleza, comecei pelo lado certo!
2) Puta que cara babaca, ele é todo superficial!
3) Ah, calma lá. Vai ver o cara tem umas obras mó profundas e eu já to julgando aqui.
4) Pera aí, esse não é o cara que pintava as latinhas todas iguais e uma pá de nota de um dólar!? Então, ele é só uma latinha?!
5) Vai, chega de tentar tirar conclusões e vai ver a exposição!

E eu andava de uma lado pro outro, lendo tudo que é plaquinha e observando cada obra. Fazia questão de ficar um tempão olhando pra cada um elas, um pouco pra tentar entender as maluquices(ou consciência exacerbada?) de Warhol, um pouco pra parecer intelectual(afinal quem vai ao museu sozinho?!).





Só me desconcentrei quando uns caras, que aparentemente também estavam tendo uma ótima tarde "alone in the museum", se aproximavam(perto demais)e começavam a ler as mesmas plaquinhas que eu. ISH SAI PRA LÁ doidão!

Teve uma parte que eu gostei muito, Warhol dizia: “Se você ver uma pessoa que lembra a sua fantasia adolescente andando na rua, ela muito provavelmente não é sua fantasia adolescente, mas sim alguém que tinha a mesma fantasia que você, e decidiu, em vez de sê-la, parecer-se com ela. Ele então foi à uma loja e comprou o visual que vocês dois gostavam. Então pode esquecer. É só pensar em todos os James Dean e no que isso significa”. Hehehe muito verdade.

Outra frase que me chamou a atenção e me fez pensar foi: "O sexo é uma ilusão. O mais excitante é não fazê-lo". Fica aí pra reflexão! haiHUHAiuah

As obras em si são muito boas. Estéticamente, já que a maneira com que Warhol usa as cores e o recurso da foto é única, e...sei lá...reflexivamente, pelo fato destas te fazerem pensar. Destaque para a série Little lectric chair, que é composta por diversos quadros com a mesma imagem, de uma cadeira elétrica em uma sala sombria, mas em cores diferentes. Com essa obra Warhol quer mostrar que quando vemos uma mesma imagem diversas vezes ela perde seu significado.


Um fato curioso foi que toda vez que eu olhava para os quadros vinha um nome na minha cabeça e quando eu olhava pra plaquinha, tcharam, era o mesmo nome do quadro. Não, eu não sou mágico. É que quando um quadro de mostrava um acidente de carro, ele o nomeava de...car crash(acidente de carro). Assim fica fácil...Interessante ele não dar nomes filosóficos e misteriosos ao seus quadros, como costumam fazer outros artistas. Isso me pareceu ser uma característica muito marcante de Warhol, as coisas são o que são.

Fui embora contente da exposição. Um programa totalmente novo pra mim e que muito me agradou. Pretendo fazer isso outra vez. Quanto a primeira frase que citei de Warhol, após ver suas obras ainda não sei realmente quem ele é. Um amante ou um crítico dos fenômenos pop? Um maluco ou um grande pensador? Acho que tudo isso...

ps: Quase uma semana depois, conversando com um brother que viu a exposição com a turma percebi que ele comentava sobre algumas obras que eu não tinha visto. Quando falei que achava que não dava pra ter muita noção de quem era Warhol a partir da exposição, ele retrucou: claro que dava! Eis que ele pergunta: Você tem certeza que viu a exposição inteira? uahuiahaua

Resumindo, eu só vi metade da exposição!! Eu bem que tinha achado ela meio pequeninha, mesmo tendo ficado umas duas horas por lá...uiahuiah

Bom, acho que conheço meio Andy Warhol.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Vida chata essa que é feita de escolhas...

Essa mania das pessoas de escolher...eu escolho tudo! E mais um pouco...e se for muito pra mim, eu divido com quem mais quiser tudo que tem pra querer.
Loucura ainda essa idéia de se especializar. Especializar ou limitar? Se assim querem, passo a ser, a partir de agora, especialista em querer e sonhar, sobre tudo e sobre todos, e não me venha falar em escolhas!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Decepção...

Depois de 5 semanas de extrema angústia e desespero, voltei pra casa. Da janela do ônibus tive a confirmação: tá rolando altas! Fui correndo do ponto pra casa e, ignorando a fome, me enfiei dentro da roupa de borracha. Ela tava fedida e empoeirada, acho que não a usava há pelo menos uns 5 meses, aliás, quisera eu não precisar usar pelo resto da vida, essas coisas prendem a circulação, ficam pesadas e me enchem de coceira. Mas isso não importava agora, eu tava indo me reencontrar com o mar!

Chegando na praia...
Sei lá, tinha umas valinhas, mas coisa pouca, miséria mesmo. Vinha espuma daqui, espuma dali e de repente, na série...um buraquinho. E junto com as merrecas veio meu mal-humor, que só parou quando eu lembrei da galera lá do Rio e de quantas pessoas tão com problemas de verdade. E saí do mar puto, mas conformado. Amanhã, quem sabe...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um pouquinho do meu amor!

E sabe, é pura verdade, "se chorei ou se sorri, o importante é que emocoes eu vivi", e isso ninguem me tira, carrego tudo comigo até o final da minha vida e nao solto nunca mais. E até chegar eu estou aqui vivendo esse momento lindo!

Giovanna Campos, grande pensadora e poetisa, além da melhor namorado do mundo.

Somos egoístas?

Um drop na realidade...

"O swell de Sul continua na área com séries de até 1,5 metros. No decorrer do dia, vai ganhar ainda mais intensidade e as séries devem ultrapassar 2 metros no final da tarde.
Para quinta-feira, os gráficos indicam que o swell continua ganhando intensidade e começa a receber influência de Leste. O vento Sul ameniza no decorrer do dia. O período sobe para mais de 10 segundos. Muito provavelmente vai dar altas no final da tarde."


As palavras acima acariciam os ouvidos de qualquer surfista. Para nós brasileiros então, abrir o site e ver uma previsão como essa nos causa um verdadeiro tesão! Ficamos loucos, começamos a pensar na nossa agenda, que desculpa dar ao chefe ou a que amigo pedir para assinar a lista de presença daquela aula chata? Nada mais faz sentido que não as altas ondas que vão quebrar no final de tarde. Parece que todos os problemas do mundo foram solucionados e que encontramos a verdadeira felicidade. Qualquer um que gosta de pegar onda sabe do que eu tô falando...

Outro dia, minha injúria por ter que estar em São Paulo enquanto meus amigos pegavam altas lá em casa não me deixava fazer nenhuma de minhas obrigações. Foi então que eu me lembrei da velha frase da minha mãe: “Esse moleque não quer saber de mais nada, só pensa em surfar!”. E parei, pela primeira vez, pra refletir sobre isso:

“É... são poucas, se existirem, as coisas que nós colocamos a frente do surf. Isso é que é paixão...ou...amor...ou...egoísmo?! Não, não pode ser egoísmo! Surfar não faz mal a ninguém. Sou eu e o mar, só.”

Eis que ouço no noticiário que já chega a 80 o número de mortes causadas pela ação das chuvas no Rio de Janeiro. “Cacete meu! Tá chovendo pacas ultimamente, só desastre”, pensei.


De repente tive um estalo. A frente fria que traz as ondas que vão fazer a cabeça da galera é a mesma que levou a tempestade pro Rio. No domingo a noite serão milhares de surfistas felizes e milhares de famílias desabrigadas. Que paradoxo...triste.

E pela primeira vez me senti culpado por pensar e planejar meu surfe. Como aproveitar uma onda sabendo que no estado ao lado as pessoas estão lutando pela vida. Eu jogando água aqui e a água jogando as pessoas lá. Nós, remando pra dentro e eles remando pra fora d´água.

Fiquei horas com isso martelando minha cabeça. Nunca tinha parado pra pensar sobre o assunto. É claro que não temos culpa por todo esse desastre natural ou pelas casas construídas indevidamente no Rio. Mas é que nós passamos o tempo todo implorando, pedindo a deus(ou seja lá o que for) para que nos mande boas ondas e, na nossa costa, geralmente e infelizmente, só temos valas consideráveis com a aproximação de alguma frente fria ou abalo descomunal. E nunca pensamos se isso pode trazer problema a outras pessoas.
Bom, não sei até que ponto isso pode ser considerado egoísmo ou se é tudo mais uma viagem da minha mente...mas, na sexta-feira, quando colocar minha prancha na água vou me lembrar que nem todo mundo tá feliz e nenhum problema, além dos meus, será solucionado...